24 de março de 2014

IDOSOS - TREINAMENTO DE FORÇA / BENEFÍCIOS


A melhora da qualidade de vida para a população idosa esta ligado diretamente a prevenção de algumas patologias, a prática de atividades físicas, o lazer entre outros aspectos sociais.

Quando falamos na população idosa do nosso país ainda notamos um certo descaso a esse publico, tais como: ausência de cuidados específicos, preconceitos por parte de alguns indivíduos (familiares, e empregadores principalmente) que os consideram incapazes, ausência de tratamento adequado por órgãos de saúde publica ou privada, a própria cultura ocidental que vê o idoso como um “peso” enquanto os orientais culturalmente os tratam com extrema importância pela consideração, e pela figura de um sábio ancião a ser consultado, outros aspetos também exclui os idosos da sociedade moderna como preconceitos ligados a dificuldade de aprendizagem ou te interatividade com a tecnologia, enfim poderíamos ficar escrevendo linhas e linhas sobre isso, mas a ideia é abordar nesse texto de forma simples e com uma linguagem facilitada, tópicos sobre como podemos melhorar a qualidade de vida dos idosos com a prática do treinamento de força.

Primeira coisa que devemos notar ao tomar esse assunto como tema é que o treinamento de força para idosos lida com duas variáveis principais que é: melhora significativa na saúde corporal (física) e melhora psicológica (mental).

Vamos primeiramente citar as principais dificuldades que os idosos enfrentam se baseando nessas duas variáveis, que é dificuldade de locomoção, movimentos limitados, doenças por conta do sedentarismo físico como doenças cardiovasculares e aumento da pressão arterial, osteoporose, diabetes etc, e na variável psicológica, podemos notar a solidão, depressão, baixa autoestima, tristeza entre outras.

Pensando agora em como o treinamento de força poderia auxiliar no tratamento de todas as patologias mencionadas acima, devemos partir do conceito que o idoso é um ser humano como qualquer outro e sendo ele um idoso saudável teremos ainda mais facilidade para auxiliar na prevenção de tais patologias, e sendo ele um idoso portador de alguma patologia mencionada acima, também podemos melhorar significativamente sua qualidade de vida porém devemos ter alguns cuidados extras.

Estudos mostram que a sarco penia que é a perda de massa e função muscular é uma das características mais importantes no envelhecimento.
O predomínio da sarco penia dependendo muito da definição usada, varia de 10 à 30% nos homens que estão na faixa etária dos 60 anos e nas mulheres na faixa dos 50 anos.

Se pegar um indivíduo saudável na faixa dos 20 à 80 anos a perda de massa muscular cumulativa equivale a 35 à 40 %, mas vale lembrar que essa perda de massa muscular não esta associada a perda de peso corporal uma vez que devido a substituição natural da massa magra pela gordura corporal.

Isso gera uma atrofia da contração muscular rápida das fibras do tipo II, essa perda de massa muscular que ocorre diminuindo a área da seção transversal das fibras musculares e o aumento da gordura intramuscular e no tecido conjuntivo faz com que ocorra uma redução no volume do tecido contrátil disponível para locomoção e para as funções metabólicas.

E onde então o treinamento de força entra?
O treinamento de força (musculação) se acompanhada por um profissional qualificado, e com o devido acompanhamento, pode estabilizar essa perda de fibras do tipo II, segundo Pollock & Wilmore, 1993, os treinamentos com pesos (musculação) é muito útil para o aumento da massa muscular e levando a um aumento bem significativo no tecido captador de glicose mesmo em repouso!

Mas partindo para uma linguagem mais simples a musculação aplicada de forma apropriada, e quebrando o paradigma de que musculação para idoso não se deve aplicar cargas, cai por terra uma vez que o estimulo e o aumento de massa muscular é possível somente com aplicação de cargas elevadas respeitando a limitação e a condição de cada indivíduo.

Com isso aos poucos o idoso terá ganhos significativos melhorando sua força, estabilizando sua postura através da musculatura treinada, e melhorando sua mobilidade, com isso podemos devolver ao paciente ou aluno uma qualidade de vida melhor.

Mas muitos devem estar perguntando, mas por que carga elevada?

Porque as fibras do tipo II (contração rápida) só é estimulada com cargas elevadas, ou seja de nada resolve o profissional que pega o idoso, e trabalha sempre com cargas extremamente baixas, esse tipo de treino ira apenas cansar o aluno e não ira estimular as fibras musculares que ele mais perde com o passar de idade, sendo assim, existe também uma atenção especial ao idoso com algum trauma articular, pois neste caso a carga elevada ira prejudicar em vez de ajudar no desenvolvimento e no trabalho empregado ao aluno, mas existem métodos muito eficientes que podem ajudar nesses casos, como o Kaatsu Training (falarei deste método numa próxima oportunidade) que consiste em realizar a oclusão do fluxo sanguíneo do membro a ser treinado, porém a oclusão deve ser parcial usando uma bolsa pneumática para reduzir o fluxo sanguíneo, e usando a pressão arterial sistólica como referencia para manter durante o treino, este tipo de treino vem sido estudado pela UFRJ, mas pouco ainda difundido no Brasil.

A musculação (treinamento de força) bem aplicado ajuda e muito se o protocolo montado pelo profissional de educação física respeitar tais limitações, então não existe motivos para se preocupar achando que idosos com problemas articulares só treinarão através do Kaatsu Training, e inclusive podemos também ressaltar neste texto que o treinamento de força é extremamente indicado no tratamento de osteoporose, pois é errado pensar que o osso é apenas uma estrutura que mantêm nossa postura, hoje a ciência já trata o osso como um órgão , e isso é devido as inúmeras patologias que ele pode desencadear.

Por existir o osso compacto e osso poroso, esse ultimo que esta ligado diretamente a matriz óssea que é degenerada com o surgimento da osteoporose, o osso precisa ser estimulado e o estimulo ósseo é o impacto.

Então para tratar de osteoporose precisa gerar impacto ao osso?

A resposta é sim, ele responde a estímulos gerados pelo impacto, mas por estarmos falando de um publico onde não podemos gerar impactos intensos por conta dos riscos de lesão articular, empregamos o treinamento de força para tratamento da osteoporose, pois temos uma vantagem nesse tipo de treinamento que é a variável carga, pois como podemos controlar a carga que será aplicada no paciente o risco de lesão diminui, e muitos podem se perguntar: Mas o leg press por exemplo (aparelho de pressão nas pernas) não gera impacto no osso! Exato, ele não gera impacto, mas gera tensão no osso estimulando o mesmo, e a tensão que desejamos aplicar ao nosso paciente ou aluno (como queira chamar) é controlada através da carga que o profissional ira usar nas sessões.

Sendo assim o idoso por usa vez além de ter ótimos ganhos na sua mobilidade, fortalecimento muscular, podemos citar outros benefícios, como a aceleração metabólica, prevenção de doenças cardíacas, e hipertensivas.

E como deve ser iniciado o treinamento com o paciente idoso?
É de suma importância que o profissional em questão de ênfase aos membros inferiores, pois são eles que estão ligados diretamente com mobilidade e locomoção do paciente, não devendo ser ignorado membros superiores claro, mas a ênfase deve ser dada aos membros inferiores.
Poucas pessoas sabem, mas um dado que não podemos ignorar é que muitos idosos sofrem acidentes graves ou até mesmo morrem em consequência de atropelamentos, isso se deve por um fator psicológico do idoso, pois ele atravessava a rua num determinado tempo na sua fase adulta e ele calculava a distancia do carro que vem e a distancia a ser atravessada e conseguia atravessar com êxito, porem ao envelhecer ele ainda pensa que tem a mesma velocidade e explosão muscular para atravessar o mesmo percurso porém como vemos acima, durante a vida de uma pessoa as fibras musculares do tipo II vão diminuindo e ainda mais em decorrência do sedentarismo, e o idoso ao atravessar a rua o cérebro manda a informação para os músculos gerar a contração muscular, (A contração muscular corresponde a um encurtamento das fibras musculares como resposta normal a um estímulo nervoso) mas o deficit de fibras de contração rápida responsável por movimentos como corridas, trotes, ou piques ou deslocamento rápido, faz com que exista uma “falha” e o idoso não consegue arrancar com a mesma potência que ele fazia antes, ocasionando o acidente por atropelamento.

Portanto o treinamento de força deve ser desmistificado, com a ideia de apenas um culto ao corpo, ou ligado apenas a estética, o treinamento de força é uma atividade física muito importante para uma melhor qualidade de vida, e infelizmente muitas pessoas quando pensa na musculação, logo pensa em músculos enormes, pessoas extremamente hipertrofiadas, e não é assim, se as pessoas soubessem o quanto é difícil construir um corpo hipertrofiado, ou esculpido, o quão é exigido da pessoa em relação ao treino, dietas, e outras variáveis, isso seria menos mistico aos olhos de pessoas que desconhecem a musculação como uma opção para a prática de atividades físicas.

Espero que tenham gostado do texto!

Abraços!

Ricardo Sidney Ferreira Leite – 21-03-2014








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