24 de agosto de 2012

FALAR DEMAIS, OUVIR DE MENOS


Dois ministros dormindo num dia, um ministro dormindo no outro, sabem-se quantos telespectadores dormindo a cada reunião do Supremo no julgamento do mensalão. É um caso importantíssimo; e chatíssimo. Pior, é chato sem necessidade. Todos já sabem que os meritíssimos têm méritos, os doutores são doutos, as excelências são excelentes. Por que ocultar o pensamento sob tantas palavras?

Imaginemos que as mil e poucas páginas do relatório fossem divididas: uma parte curta traria opinião e decisão do ministro; outras, com citações, antecedentes, justificativas, se transformariam em link da Internet.

Quem quiser lê-las as terá a disposição, sem consumir duas ou três tardes ouvindo a leitura de tudo – e, melhor, podendo retornar a algum trecho, se quiser. Caso alguém prefira ouvir, o link trará uma opção de som, com um locutor profissional e especializado.

Estranho? Nem tanto: antigamente, os processos eram escritos a mão em papiro ou pergaminho; passaram a ser impressos, sem que nada se perdesse. Hoje é desnecessário, como era feito a pouco tempo, costurar os processos com barbante.

Por que não usar os meios eletrônicos para facilitar o trabalho dos ministros e advogados, para que o público entenda melhor o que está acontecendo?

Este colunista, dizem pessoas abalizadas (especialmente parentes e amigos) não é um burro. E não tem a menor condição de acompanhar e entender a posição do juiz expressa em mil páginas. O palavrório desperta o sono, não a inteligência.

Que o processo judicial acompanhe os tempos.

MIL PÁGINAS, NEM SHAKESPEARE.  

OBSERVAÇÃO:
Esse texto é uma publicação do Jornal Correio Popular, e foi cedido para esse blog com autorização do seu autor: Jornalista Carlos Brickmann. 


AGRADECIMENTO: Agradeço a especial gentileza do Sr Carlos Brickmann pela permissão de publicação do texto veiculado no Jornal acima, em 22/08/2012

sonia.  
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