5 de janeiro de 2010

Angra dos Reis

Imagem/uolHoje, durante meu trabalho, também ouvia notícias no rádio, e uma me chamou atenção: "Aumenta o número de mortes em Angra dos Reis, RJ, já são mais de 50 corpos encontrados" e continua; a tragédia que dizimou tantas famílias nesta festa de passagem de ano chocou toda a população, e muitas doações já estão chegando para auxiliar as famílias.
O Governo do Estado já destinou uma importância em torno de R$ 500,00 para cada família a título de ajuda.

Passei a pensar e nem precisei de uma calculadora para verificar que essa vergonhosa ajuda, nem deveria ser levada ao conhecimento do mundo, no mínimo para começar a recompor a vida, uma família sem mais nada, precisaria no mínimo de uma importância em torno de R$ 35 mil reais, que é o gasto por mês, para manter o convenio médico de cada político no nosso Senado Federal.

E a notícia conclui: O Governo do Estado do RJ, e a Prefeitura de Angra dos Reis, pedem a todas as pessoas que pretendem viajar no carnaval, que venham divertir-se em Angra, pois, a cidade vive do TURISMO.

Para não me amargurar ainda mais, fui ao páteo do prédio onde trabalho distrair-me um pouco, e alguém me chama para verificar se o “homem” deitado em frente à porta de entrada de um pronto socorro Infantil, abandonado, está dormindo ou morto.

Pobre andarilho que tratamos de seus ferimentos constantemente, tomou uma chuva gelada, e claro que bêbado como deveria estar, tropeçou bateu a cabeça na pedra, desmaiou, e com certeza teve um pneumotórax agudo, e morreu.

Todos os curiosos olhavam: quadro interessante... Pobre, doente, sem documento, morto já com formiga e barata na boca, e exposto como artigo de curiosidade para quem quisesse observar a desgraça alheia.

Não há solidariedade no ser humano, acabou tudo, num serviço de saúde ninguém providenciou um lençol para cobri-lo, protegê-lo ainda que morto do seu direito a privacidade.

Fiz isso, chamei a polícia, e uma oração: "Senhor, recebe esse seu filho tão só e sofrido, perdoe os curiosos, eles nem sabem o que fazem..."
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