20 de dezembro de 2009

> As linguas de Esopo

Fabulista grego, nascido em fins do século VI A.C., na cidade de Phrygia, na Ásia Menor, Esopo foi escravo em Samos e morreu tragicamente, em DELPHOS. Sobre a sua morte conta-se que, encarregado de levar oferendas ao templo de DELPHOS, descobriu a fraude dos sacerdotes de APOLO.
Os sacerdotes se vingaram, escondendo em sua bagagem uma taça de ouro consagrada ao deus, acusando-o de tê-la roubado, o que terminou por condenar ESOPO a ser precipitado do alto de um rochedo.

ESOPO tinha aspecto feio, era corcunda e gaguejava. Dono de uma inteligência privilegiada, aliada a um espírito sutil e engenhoso, era bastante invejado. Quando foi alforriado, viajou pelo Egito, Babilônia e Oriente, aumentado seus conhecimentos.

ESOPO é muitíssimo conhecido pelas pequenas histórias de carácter alegórico e moral onde os animais desempenham papéis, as chamadas "Fábulas Exóticas".

Uma passagem altamente marcante da vida do fértil fabulista, conhecida como "AS LÍNGUAS DE ESOPO", é hoje usada para indicar algo que pode ser analisado com conclusões antagônicas, isto é, alguma que pode ser tomada sob dois aspectos opostos, dando margem ao louvor e à crítica.

Certo dia XANTO, o último amo a quem ESOPO serviu como escravo, querendo oferecer um suntuoso almoço, pediu a ele para comprar no mercado o que de melhor encontrasse. ESOPO comprou apenas línguas, que mandou cozinhar de diversos modos. Os comensais, logicamente, se aborreceram e indagaram a ESOPO sobre o significado daquilo. ESOPO, prontamente respondeu: "Existe coisa melhor do que a língua? Ela é o vínculo da vida civil, a chave das ciências, o órgão da verdade e da razão. Por meio dela, constróem e policiam-se as cidades, instrui-se, persuade-se e domina-se nas assembléias; cumpre-se o primeiro de todos os deveres que é louvar a Deus."

XANTO, tentando confundir e embaraçar ESOPO, mandou-o comprar no dia seguinte, o que houvesse de pior no mercado.

E, novamente, ESOPO comprou língua. O fabulista, outra vez interpelado, disse: " A língua, é a pior coisa que há no mundo. É a mãe de todas as questões, a origem de todos os processos, a fonte das discórdias e das guerras.

Se ela é o órgão da verdade, é também a do erro e, pior ainda, da infâmia e da calúnia. Por intermédio dela, destróem-se as cidades e seres humanos. Se por um lado louva os deuses e poderosos, por outro é o órgão da blasfêmia e da impiedade.

Hoje, a humanidade continua sendo servida de línguas...
Mas, quais as que tem prevalecido?
As piores ou as melhores?

" Esse é um texto que eu ganhei do meu amigo Roberto Muller Novaes, de Uberlandia MG, há uns dez anos mais ou menos.


O autor é " ( E. Figueiredo )
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