9 de agosto de 2009

> O Descaso Familiar com os Idosos

Eu já escrevi aqui sobre idosos nos asilos, e tenho em meu pensamento que somos responsáveis pelos nossos idosos, tanto quanto foram por nós, na nossa infancia.

Há muito tempo trabalho na área de saúde pública municipal, e a cada dia me decepciono com a atitude de filhos em relação aos pais. Uma pessoa, filha de senhora idosa, 78 anos, com quadro de Hipertensão arterial descompensada, e crise de depressão por solidão, me pediu por telefone que recebesse a mãe dela no Centro de Saúde, e verificasse de que tratamento está precisando. A senhorinha estava a minha espera pontualmente as 7hs da manhã, porém, sem que eu soubesse, porque trabalho em outro setor, dos quatro médicos clínicos gerais generalistas (ganham muito bem) simplesmente nenhum estava atendendo.

Pedi a uma colega enfermeira então que fizesse o acolhimento da paciente, e constatou-se que a mesma por esquecimento não compareceu a consulta com CARDIOLOGISTA no mes de abril porque esqueceu. Sua pressão arterial estava alterada. O medicamento anti-depressivo já havia terminado há vários dias, então, como não tem médico, a medida correta é encaminhar ao Pronto Socorro do Idoso.Um familiar tem que acompanhar.

Daí começa a maratona de caça a família: filha não atende telefone, irmã idem, que fazer? Por ordem da coordenação levar paciente para casa e esclarecer a família. Bom até aí, fácil! Meu carro está aí no estacionamento, vamos levá-la, nao me custa nada, poderia ser minha mãe!

Porém, casa da filha está fechada, não tem ninguém, casa da irmã, não tem ninguém, isso as 9hs da manhã, então, paciente chora e diz que fica na casa da irmã, pois, mora de favor numa casinha dos fundos.

Retorno a Unidade, e recomeço a caçada sem sucesso, mas, as 20hs consegui falar com a filha, expliquei a situação, e para minha surpresa, ela se prontificou a falar com o marido dela: se ele não estivesse ocupado, levaria a mãe dela ao Pronto Socorro.

Senti vergonha do ser humano, bicho não abandona sua cria.

O que estou pensando agora, é que essa filha se acha eterna, imutável, inatíngivel, cheia de uma jovialidade que vai durar para sempre. Coitada!

Eu conheço essa idosa há muitos anos, sempre trabalhou e ajudou muitos as pessoas que conhecia e que dela precisasse. Sei que essa filha, a chama toda semana para passar roupa para a família dela, e faz a mãe ir de um bairro para outro caminhando, sendo que tem um carro na garage.

Que se faz com uma peste dessa?

Desculpem, mas fico inconformada.
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