22 de agosto de 2009

> Quem sou?

Nessa madrugada, ouvindo uma música e sózinha, diante dessa máquina que não me dá respostas, procuro em mim respostas que eu sou incapaz nesse momento de discernir o que é certo, do que é errado. Trabalhei no meu emprego alternativo, o dia todo, e depois de muita exaustão, chego em casa, e está vazia. Quem deveria estar aqui, não me esperou, sumiu.

Eu vivi com pessoas e numa época em que umas se preocupavam com outras pessoas, eu aprendi que para sair de casa, deve-se deixar um recado, nem que seja no espelho do banheiro ou no azulejo da pia da cozinha.
Mas não é isso que fizeram comigo, simplesmente saiu, sem dizer nada, e eu que me dane com minhas preocupações, compromissos e tudo mais.
O que mais posso esperar das pessoas na vida?

Desde muito jovem passei todos os dias da minha vida dedicados a alguém ou alguma coisa, e percebo que nada recebi em troca, de ninguém. Hoje, não tenho ninguém, nem pai/mãe, sogro/sogra, parentes mais próximos, me sobrou uma irmã ausente, que só se preocupa com o umbigo dela.

Tenho um filho que amo de paixão, mas está casado com uma mulher maravilhosa, linda, inteligente, e não serei eu, a meter na vida dos dois, pois, quero que tenham sossego e liberdade de vida, qualidade de vida, só me faltava essa, grudar na vida de um casal, ainda mais sendo meu filho.

Quem deveria estar comigo, não está. Deve ter ido curtir solidão em algum lugar, para depois me aparecer de vítima.

Sabe pessoa que convive com a gente, precisa entender que o trabalho é um bem necessário, e ainda bem que tenho dois empregos, pelo menos dou conta de me sutentar e pagar minhas contas, sem precisar que alguém bata na minha porta. Meu lema é trabalho: aprendi isso com meu pai que me colocou para trabalhar com 12 anos, me ensinou a viver, escolher, saber comprar, não se deixar enganar.

Isso ensinei para meu filho também. Mas só pude ter um filho. Foi esse o presente que Deus me deu, aliás, deu um outro, em outubro de 1982. Vou contar para voces: eu morava numa bela casa na cidade de JUNDIAI SP, e certa noite de sabádo, eu grávida de 7 meses do meu querido filho, tive a maior surpresa da minha vida.

Nós tínhamos uma cachorra pastora belga, e a mesma veio me buscar na cozinha, era hora do jantar, chorando e me puxando para fóra.

Grande surpresa! do lado de dentro do meu portão, havia uma sacola, e dentro dela uma criança recém nascida! Oh meu Deus, trouxe para dentro, chamei meu marido, constatamos ser um menino, e fomos para delegacia, e depois de tudo devidamente registrado em Boletim de Ocorrencia, levamos o menino com autorização de guarda provisória.

E conosco ficou até dezembro, mes em que nasceu meu filho, quando então recebemos a visita de uma assistente social, trazendo a notícia de que a criança encontrara pais adotivos, porém, a prioridade era nossa. Que drama! Meu filhinho nasceu chorão, fraquinho, me dava trabalho, era alergico a leite, e eu não tinha nas mamas, também não contava com ajuda de ninguém, minha mãe já havia falecido.

Com muita dor no coração, tive que entregar o SAMUEL o nosso menino de coração, tive medo de não dar conta dos dois nenens. Foi a maior crueldade de minha vida comigo mesma, nunca imaginei que amava tanto aquela criaturinha, e criei meu filho sózinho, não pude ter outros filhos.


Sei que SAMUEL foi adotado por um casal de professores, e hoje deve estar muito bem criado e educado. Mas a dor não passa, e a emoção se apodera de mim quando lembro dele, esse foi o presente que Deus me ofereceu, e eu não quis, não entendi...


Como é difícil a linguagem de DEUS, eu não estava preparada como estou hoje para entendê-la, que pena! Ganhar um filho numa sacola, num sábado a noite, sem pedir nem esperar, é como ganhar uma grande soma na loteria...
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